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De certo o toque dos seus dedos nos meus lábios úmidos seja o que transita entre o vazio do peito e a minha grotesca sombra projetada nos vasos de violetas dispostos lado a lado no alpendre desbotado lá de casa. De certo suas palavras ditas tantas vezes em tons alcalinos percorram de ponta a ponta o desejo ácido de te ter novamente ao meu lado sem despejo, inteiro e único nos meus braços. Pois não há um só segundo em que meu rude coração não abrigue os teus olhos, não há um só segundo que por descuido e poesia não te veja adentrando pela porta da sala com jasmins amarelos nas mãos e mochila celestial nas costas com toneladas de paz e amor. Janelas abertas, portas escancaradas, me mantenho assim pra você, meu amor, e sei que após uma longa viagem, pousar-te-á sobre meu colo teu corpo esfaqueado. Eu juro que curo cada chaga sua, cauterizo uma a uma, cada ferida, cada buraco, perdidas perfurações. A sua dor será finalmente vencida, escalpelada e demandaremos nosso amor solícito, nosso caos explicito aos céus, às ruas e becos, às pontes e avenidas feitas de nós. Amaremos plenamente.
Elisa Bartlett
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