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100 anos com Vinicius de Moraes

Marcus Vinicius da Cruz de Melo Moraes nasceu em 19 de outubro de 1913, no Rio de Janeiro. Ele adotou o nome Vinícius de Moraes ainda quando criança. No livro “Elegia Quase Uma Ode” (1937), declarou: “Quem me dera… ser apenas Moraes sem ser Vinicius!”

Quando era menino, fazia concertos de piano para os moleques de sua vizinhança. A garotada não sabia, porém, que o instrumento — uma pianola — tinha um recurso automático que executava sozinho as canções. Vinicius apenas simulava a interpretação das peças.

Fez seu primeiro poema aos 9 anos. Dedicou-o para uma menina chamada Cacy, por quem estava apaixonado na época. Recebeu dos amigos o apelido “poetinha”. 

Formou-se em Direito em 1933. Também estudou inglês na Universidade de Oxford, na Inglaterra.

Casou-se nove vezes. Com sua primeira esposa, Beatriz Azevedo de Mello, a Tati, selou a união por procuração em 1940. Os dois ficaram juntos por 10 anos. Depois, ainda trocou alianças com Regina Pederneiras, Lila Maria Esquerdo e Bôscoli, Maria Lúcia Proença, Nelita Abreu Rocha, Cristina Gurjão, Gesse Gessy, Marta Rodrigues Santamaría e Gilda de Queirós Mattoso. Certa vez, Cristina Gurjão, morta de ciúmes, quase matou o poeta ao acertar sua cabeça com um candelabro de estanho.

Em 1943, iniciou sua carreira diplomática ao entrar no Itamaraty. Foi vice-cônsul em Los Angeles (EUA) e atuou nos consulados da França e do Uruguai. Após a edição do Ato Institucional nº 5 (AI-5), que deu poderes amplos à ditadura dos militares, todos os diplomatas brasileiros homossexuais e que tinham fama de festeiros foram aposentados compulsoriamente. Vinicius foi um deles, que, de volta ao Brasil, fez questão de declarar: “Eu sou bêbado!”.

Junto com o compositor Baden Powell, Vinícius se trancou em seu apartamento em 1962 para escrever músicas. Eles ficaram lá por duas semanas. Compuseram cerca de 20 sambas e beberam três caixas de uísque.

Ele e Toquinho estabeleceram a famosa parceria em 1969. A dupla ficou unida até 1980, ano da morte de Vinicius. Juntos, compuseram “Tarde em Itapuã”, “Regra Três” e “Maria Vai com as Outras”.

Em 1946, Vinicius e o cronista Rubem Braga sofreram um acidente num hidroavião da Air France a caminho do Uruguai. A hélice do avião se soltou e entrou na cabine, matando o passageiro que viajava à frente do poeta.

Morreu no dia 9 de julho de 1980, aos 66 anos. No dia anterior, um repórter lhe perguntou se estava com medo da morte. “Não, meu filho. Eu não estou com medo da morte. Estou é com saudades da vida”, disse.

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