Eu me mantenho no jogo na beirada do abismo. A chuva ácida corrói minha pele mas não dilui meus pensamentos. Eu me mantenho no jogo de olhos abertos, desintegro a palavra na interseção das órbitas dos cometas azuis. Faço poesia como faço sexo, desencadeio o seu prazer na ponta da caneta, engulo uma a uma as lâmpadas dos letreiros da avenida que cospem as possibilidades noturnas. Vem deitar sobre as entrelinhas da gramatura fresca, sinta a tinta circulando nas suas veias.
Elisa Bartlett
Publicado em 2 de Setembro de 2014, com 3.835 notas, às 6:34pm.