mesmo assim, você não me enxerga. não me atravessa na sua retina e me instala nos seus neurônios. porque todo mundo sabe que se ama com os neurônios. mesmo amando com meus milhares de neurônios, isso é pouco pra te suportar e te aguentar. mas faço um esforço, baby. me folozo pra te caber. mas você me lota. e me dá uma sensação de saciado depois de comer duas fatias de lasanha. me dá uma sensação de transbordamento. e me vaza. me nega poemas e prosas de pós-foda que você me fazia. eu me deitava entre suas pernas. você escrevia sobre a lua nua. o céu teu. o amor nosso. criava rimas pra me adocicar os ouvidos.
eu me vendi, babe. pra qualquer um que rima leu com créu. pra qualquer que saiba socar fundo. que saiba beijar mordendo o lábio inferior. pra qualquer um que não ligue pro espaço que sobra dentro de mim.
me vendi.vendi minha alma ao demônio dos teus olhos.
mas, por favor, me ame esta noite. me ame com teus milhares de neurônios e teu pau poeta.
(convergido)
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